Em quinhentos e oitenta anos o chão conturbado do Convento de São Domingos, foi também hospital, quartel, estalagem, cineteatro… chegando-nos substancialmente vivido. O novo “hóspede” é agora o Conservatório de Música.
A implantação, contem-se entre a fachada mais arcaica a Poente
e a fachada Nascente, cenográfica e urbana (refeita no século XVIII). Sem marcas do claustro, a fachada Sul é nova e paralela às naves da igreja. Suficientemente próxima para inventar um pátio intimista e suficientemente distante, em linguagem austera, para ceder o protagonismo às pedras antigas.
A fachada Poente foi devolvida à rudeza que se virava para a cerca rural. A fachada Nascente foi silenciada, ao nível da avenida, deixando-se penetrar apenas no túnel-abóbada, que é aqui, “iniciação e fronteira de silêncio”. O programa organiza-se em sequências lineares de salas e na estratificação simples dos pisos. As circulações esticadas, constroem em geometria óbvia, um espaço abstracto, demorado, monástico, tranquilo… Interrompido radicalmente por “buracos” de razão incerta… Devassado pela “história exterior”. Convivem contemplação e acção.
Há disputas contundentes. Entre a horizontalidade dominante de
luz sem peso e a verticalidade de óptica deslumbrante.
Há isolamento e expansão. Há melancolia e sombras. É a luz que governa os espaços. Uma luz-fisíca e não metafísica. Uma luz-táctil que elogia o instante. Que funde memória e esquecimento. |