No sotavento algarvio, a região de Castro Marim reúne condições naturais de absoluta excepção. Limitada a Norte pela serra e a Sul pelo oceano, a reserva protegida do Sapal é uma zona húmida que se estende ao longo do rio Guadiana, apresentando-se como um território de enorme riqueza, e ao mesmo tempo de profundos contrastes.
A casa inscreve-se na paisagem. A construção surge como um bloco de pedra, poisado sobre o terreno, e talhado pelo tempo.
Mas mais do que pelo exterior, o lugar molda a casa a partir do interior. A possibilidade de habitar este ambiente, simultaneamente generoso e agreste, depende do equilíbrio entre o que se abre
e o que se encerra, entre o que se revela e o que se protege.
A casa envolve um pequeno pátio, que acolhe a sombra de uma amendoeira. O perímetro da construção recorta-se, criando zonas abrigadas para as quais se voltam os espaços interiores. Com estas estratégias, a casa evita expôr-se demasiado, procurando sempre uma forma de intermediar a sua relação com a envolvente.
A construção retoma o lugar de uma ruína, implantando-se sobre uma linha de festo. Este vinco da paisagem atravessa a casa de Nascente a Poente, terminando num pequeno promontório assinalado por duas oliveiras. O projecto organiza-se segundo
um sistema ortogonal, composto por este eixo e por um outro, que une a serra ao mar. Na intersecção dos dois, desenha-se um espaço, que é verdadeiramente o centro: da casa e de tudo o resto. |