Num loteamento de origem duvidosa, uma casa, executada sem projecto ao longo de muitos anos, apresentava diversos problemas de construção. As partes somadas insistiam em manter a sua independência e o conjunto revelava os vários problemas.
A proposta foi quase só um processo de demolição das partes em excesso.
Desmontaram-se telhados e mantiveram-se as lajes sob os mesmos, permitindo o isolamento contínuo da cobertura. Transformou-se a garagem em sala e demoliu-se uma sala interior, originando o pátio em torno do qual a nova casa se contorce e articula. Um limite rectangular veio recintar esta forma retorcida, desenhando alpendres que reúnem e abrigam as aberturas da casa.
Entre o interior, quase inalterado, e o exterior confrontado com a proximidade de casas vizinhas, existe agora uma espessura, habitável, que devolve à casa um sentido mais reservado, mediterrânico.
O trabalho de Fernanda Fragateiro veio adensar estes espaços--sombra a partir do texto “L’attente L’oubli” de Maurice Blanchot, onde a única personagem constrói diálogos entre dois heterónimos imaginados. Como nesta casa dupla. |