Pavilhão da Serpentine Gallery
Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura

Retenho a definição “Pavilhão” da “ Enciclopédia Verbo”: “construção isolada no centro ou nos lados do corpo principal de um edifício”.

O Pavilhão debruça-se sobre uma casa neoclássica, como um animal de patas cravadas no solo, tensas do apetite de se aproximar, contidas contudo. O seu dorso distende-se, a pele eriçada. Olha de esguelha, lança antenas em direcção à casa. Obriga-a a definir um espaço. Trava as patas, baixa a cabeça, não se permite avançar. Come-la-á um dia?
Deixa que os passeantes habituais o atravessem, abre à fruição o solo de tijolo. Oferece cadeiras, mesas, sombra.
Preguiçoso, mas em desassossego, espalha uma áurea de luz que marca o céu de Londres – tranquila no seu canto.
Nenhuma casa permanece isolada, ainda que o queira.
No mundo não há desertos nem coisas distantes.

 Projecto Pavilhão da Serpentine Gallery
 Localização Hyde Park, Londres, Reino Unido
 Datas 2005
 Arquitectura Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura
 Clientes Serpentine Gallery
 Fotografia Jorge Figueira